sexta-feira, 30 de outubro de 2020

quarta-feira, 9 de setembro de 2020





Prof. Dr. Eduardo De Paula

"Processos de preparação e criação do ator e da cena teatral".

E-mail: eduardodepaula@ufu.br

 

Temas de interesse para orientação:

- Processos de preparação e criação -

- Antropologia Teatral e as Poéticas da Atuação: jogo, improvisação e treinamentos -

- Comedia dell'Arte e Máscara Neutra como suportes para o jogo do ator -

- Teatro de Feira e Performance Arte e os elementos: riscos, acidentes e imprevistos -

- Teatro e Cinema : tecnologias e contaminações -

- Coletivos Teatrais e procedimentos de criações -

- A pesquisa guiada pela prática como metodologia norteadora -

 

Links com outras informações:

Currículo Lattes/CNPq: http://lattes.cnpq.br/3627117545793761

ORCID: http://orcid.org/0000-0002-3688-8123

IARTE: http://www.iarte.ufu.br/equipe/jose-eduardo-de-paula

Blog: https://duedudepaula.blogspot.com/

Dissertação de Mestrado: https://teses.usp.br/teses/disponiveis/27/27155/tde-04092019-154650/pt-br.php
Tese de Doutorado: https://teses.usp.br/teses/disponiveis/27/27155/tde-12012016-111134/pt-br.php#.VpURJWglk

Dossiê do Pós-doutorado: http://www.seer.ufu.br/index.php/rascunhos/issue/view/1804

sexta-feira, 31 de julho de 2020

Turmas 2020/Ensino Remoto: links diretos para as pastas e documentos compartilhados


Atuação: Personagem 
atuação-personagem2020.1


Pesquisa I
atua-impro1



Tópicos Especiais em Estudos da Atuação (PPGAC)
topicos-especiais-est.atua-ppgac2020.1

* OBS.: no final de cada curso, os links e os arquivos serão apagados.

sexta-feira, 3 de julho de 2020

Conexão Teatral UFU: (live) live: Os processos criativos do ator e do encenador: entre os espetáculos 'O Acidente' e 'Edgar'




Data: 08/07/2020
Horário: 19h


Sinopse: A partir dos processos criativos empreendidos pelos artistas convidados ao encenarem os espetáculos ‘O Acidente’ e ‘Edgar’, este encontro pretende abordar questões basilares do fazer teatral: criação de personagem, memorização de texto, exploração dos materiais, improvisação, jogo, criação de cenas e encenação.

Convidados

Rafael Michalichem. Ator, diretor e pesquisador de teatro. Mestre em Artes Cênicas pela Universidade Federal de Uberlândia (2019). Sua pesquisa enfoca o trabalho do diretor e investiga a criação de um Universo Cênico. Licenciado e Bacharel em Teatro pela Universidade Federal de Uberlândia. Participou de workshop de Direção e Encenação Teatral com Emílio Garcia Wehbi no primeiro semestre de 2017, em Buenos Aires, Argentina. Iniciou estudo em Direção Teatral na SP Escola de Teatro em 2016. Participou da oficina de Direção ministrada por Eduardo Moreira do Grupo Galpão (Belo Horizonte/MG) no projeto Provisões: 1º Expedição Teatro Latino Americano do Grupontapé de Teatro em 2012. Diretor, Coordenador e Proponente dos projetos “Falsa Circulação”, “Projeto Acidental” e “O País das Maravilhas no Ambiente Escolar”, aprovados no Fundo Municipal de Incentivo à Cultura de Uberlândia em 2019, 2018 e 2015, respectivamente. Dirigiu também o espetáculo Os Zanni, que se apresentou no Festival Internacional de Escuelas de Teatro y Expertos GATS 2016, realizado em Lima - Peru. É membro fundador do Grupo Giz de Teatro, tendo dirigido no grupo os espetáculos Pra Errar o Chão e As Cadeiras, com o qual ganhou o prêmio Pedra do Mucuri de Melhor Direção no FESTTO em 2013, e as cenas curtas As Cadeiras - Recorte e Por quê todos estes Teatro Vazios, premiadas pelo Festival De Cenas Curtas de Uberlândia nos anos 2013 e 2014 respectivamente. Dirigiu espetáculos que circularam por cidades de Minas Gerais, São Paulo e Rio de Janeiro. Durante a graduação, foi bolsista de PIBIC (Programa Institucional de Bolsas de Iniciação Científica) pela FAPEMIG por dois anos, investigando a linguagem do Teatro de Sombras e Formas Animadas. Foi bolsista de PIBID (Programa Institucional de Bolsas de Iniciação à Docência) pela CAPES durante um ano, desenvolvendo uma pesquisa sobre a projeção em cena e suas possibilidades artísticas e pedagógicas. 

Call Oliver. Ator, diretor e pesquisador, é integrante do grupo Hex - Produções que atua na cidade de Uberlândia e região. É mestrando em Artes Cênicas pela Universidade Federal de Uberlândia e sua pesquisa busca investigar o jogo no teatro, aplicado a processos criativos e a preparação de atores. Atualmente faz parte dos espetáculos “E D G A R” e “No país das maravilhas”, ambas obras de seu grupo, onde investigam as poéticas do horror na cena teatral.

Mediadores:

Eduardo De Paula (José Eduardo De Paula): professor de teatro, diretor e ator. Pós-doutor (Dipartimento delle Arti, Università di Bologna - DARvipem/UNIBO, Itália; 2018-2019), Doutor (2015), Mestre (2011) e Bacharel (1998) com Habilitação em Interpretação Teatral, ambos em Artes Cênicas (Escola de Comunicações e Artes, Universidade de São Paulo ; ECA/USP). É professor adjunto na Universidade Federal de Uberlândia, onde atua no Programa de Pós-Graduação em Artes Cênicas (PPGAC) e no Curso de Teatro, Instituto de Artes (IARTE/UFU). As pesquisas vinculam-se a processos experimentais de preparação e criação do ator e da cena teatral e, nestes campos, concentram-se nos estudos sobre atuação, treinamento, jogo, presença, performatividade, teatralidade, encenação e cena contemporânea.

Thiago de Guerra (Thiago Xavier Ferreira). Artista cênico. Intérprete criador, professor, pesquisador teatral, gestor e produtor cultural. Graduado em Artes Cênicas pela Universidade Federal de Uberlândia (2009), Pós Graduação Lato Sensu em Docência nos Ensinos Médio, Técnico e Superior pelo Instituto Passo1/UCAM (2015) e Mestre em Artes Cênicas pela UFU (2018) na linha de pesquisa de Poéticas e Linguagens da Cena. Durante sua trajetória artística integrou alguns coletivos de dança e de teatro, sendo eles: Grupo Anônimos da Silva (2004-2005), Cia. Todo um de Teatro (2006-2008), Teatro do Miúdo (2006-2008), Grupontapé de Teatro (2008-2011), Grupo Tripé (2009-2013) Trupe de Truões (2013-2017) e um dos fundadores da Falsa Cia. (2018 - ). Tem experiência na área de Artes, com ênfase em Interpretação Teatral e Expressão Corporal, atuando em temas como performance, teatro e dança.

Colaboração Técnica: Bruno César

sexta-feira, 27 de março de 2020

programa de entrevistas ao vivo com profissionais de luz, criadores, os chamados Light Designers

Um programa de entrevistas ao vivo com profissionais de luz, criadores, os chamados Light Designers, coordenado por Chico Turbiani e Guilherme Bonfanti.

Horário do programa: todos dias, às 15hs, no canal Lighting Studio no Youtube:

https://www.youtube.com/channel/UCXkg9fxW8eYtfjug7FGMSyQ

Nas conversas, iremos abordar temas que possam nos ajudar a criar um perfil destes profissionais: entender como eles pensam e atuam no campo criativo e profissional, trazendo questões como formação, área de atuação,  planejamento de carreira, construção de um projeto artístico.
Além disso, outros aspectos serão abordados e que nos interessam muito tais como o seu processo criativo, sua metodologia de trabalho, seus procedimentos e equipes de trabalho, e claro quais as ferramentas utilizadas (3D, plantas) e se existe uma documentação (diário de bordo, cadernos de anotação), por fim como se dá a construção do roteiro. Ampliando uma pouco mais a discussão seguimos no campo estético e conceitual, com questões ligadas às relações de criação e parcerias, referencias, linha de pesquisa, uso da cor, síntese ou excesso, como as ideias surgem: estudos teóricos, pesquisa e experimentação. Por fim a perspectiva técnica da conversa e a abordagem em torno do tipo de Lâmpadas, multi parâmetros, leds, consoles utilizadas e como é pensada a equipe de montagem, coordenação de montagem, gravação, ensaios técnico.
Assim espero termos um material que servirá a pesquisadores, estudantes e profissionais que queiram conhecer melhor o trabalho uns dos outros.

Entrevistados e datas abaixo.
1- Guilherme Bonfanti..............27/03
2- Jathiles Miranda.................. 31/03
3- Beto bruel............................ 02/04
4- Fernanda Carvalho................03/04
5- Danielle Meirelles..................06/04
6- Alessandra Domingues..........07/04
7- Caetano Vilela.......................08/04
8- Miló Martins.........................09/04
9- Ligia Chaim............................10/04
10- André Boll.............................13/04
11- Marisa Bentivegna................14/04
12- Grissel Piguillem....................15/04
13- Fábio Retti.............................16/04
14- Denilson Marques..................17/04
15- Camilo Bonfanti.....................20/04
16- Ana Turra...............................21/04
17- Aline Santini...........................22/04


Idealização: Guilherme Bonfanti
Roteiro: Chico Turbiani
Direção de imagem: Padu Palmerio
Operação de corte e streaming: Jess Ferreira
Direção de Arte: Guilherme Luigi
Música: Erico Theobaldo

quarta-feira, 25 de março de 2020

ARTE e IMPROVISAÇÃO - UMA QUESTÃO DE IDENTIDADE


Arte e Improvisação - uma questão de identidade, Nuno de Matos Duarte


1ª Parte

A improvisação é, desde sempre, usada em arte, podendo neste contexto subdividir-se em duas categorias básicas: na primeira, a improvisação constitui apenas uma ferramenta de pesquisa para formar a obra de arte, ferramenta através da qual o artista testa diferentes soluções no processo de decisão sobre a conformação final da obra (esboça, compara cores e texturas, ensaia acordes e linhas melódicas, testa timbres, trauteia, manuscreve ideias soltas, etc.); na segunda (aquela de que me vou ocupar fundamentalmente neste texto e que classificarei de “pura”), a improvisação constitui não apenas uma ferramenta de pesquisa mas também a obra de arte “em si”, porque o processo de decisão sobre os “acontecimentos” da obra é parte integrante da mesma. Pela sua natureza por vezes pouco reflectida, a improvisação deste segundo género cai eventualmente no lugar‑comum, dando origem a obras “fracas” que se comprazem na facilidade do efeito estilístico e que se tornam, desse modo, maneiristas. Por outro lado, quando “inspirada” e imbuída de espiritualidade extremada, a obra de arte improvisada é poderosíssima, arrebatadora, transcendental.
Os dicionários, quando se trata de definir o improviso no relacionamento que este tem com a arte, usam expressões um pouco vagas, tais como “é o discurso, poesia ou trecho musical proferido, feito ou executado sem preparação”. Sendo verdade que o possa ser, esta é, no entanto, uma definição não universal. Um improviso musical pode desenvolver-se “com preparação”, não deixando de ser improviso por esse motivo. O be-bop, que é talvez a expressão mais popular do jazz e este o género musical e forma de arte que mais associamos à improvisação, assenta em sequências de acordes e séries de compassos rigorosamente estabelecidos, movendo-se o discurso musical improvisado por lugares predefinidos, quantificáveis, imutáveis e expectáveis. Os improvisadores deste género de música possuem inclusivamente uma espécie de léxico musical que, no fundo, não é mais do que uma extensa colecção de clichés, “vocábulos” com o poder de tornar o discurso musical coerente, embora este, sendo improvisado, se vá tornando obra à medida que o músico o vai inventando em tempo real. Talvez nesta última expressão resida a chave para definir a improvisação como obra de arte: uma obra de arte improvisada é aquela que se forma em “tempo real”, ficando visível e/ou audível nela, ao constituir-se o seu corpo, a expressão directa de todos os “passos dados” pelo(s) artista(s). É portanto na forma como lida com o tempo que a obra de arte improvisada difere das restantes obras de arte. Se estas procuram vencer a morte pela perseguição da possibilidade do eterno (tentam ser conceptualmente perfeitas em si mesmas tentando, como tal, ir para além de si e do seu tempo de gestação), a criação improvisada, por ser “performativa”, parece aceitar erro e defeito, bem como o seu fim cronológico, fundando mesmo a sua estética no efémero, isto é, estabelece-se como processo criativo que respeita a sequência “nascimento – vida – morte”. Nas artes visuais “não‑performativas” (pintura, escultura e instalação) é, no entanto, oferecida ao improvisador a possibilidade de o processo criativo perdurar como forma estável no objecto fixo que constitui a obra de arte. Neste objecto, normalmente uma superfície ou outro qualquer suporte ou espaço onde seja possível actuar por incisões e/ou inscrições ou pelo simples posicionamento de objectos preexistentes ou elaborados para o efeito, é possível aos artistas deixar ler a sequência das acções que efectuaram em tempo real, embora o observador desfrute “num outro tempo” do objecto acabado, tempo esse que é já aquele que o observador disponibiliza para se relacionar com a obra. (Em Jackson Pollock, pressente-se o tempo real, que embora não seja quantificável para o observador da obra, está nela claramente implícito.) Estes artistas, para serem improvisadores puros, teriam de adoptar obrigatoriamente uma estratégia cumulativa ao criar a obra, ou seja, mesmo que a actuação sobre o “suporte” não fosse efectuada em contínuo, teoricamente não seria aceitável que fossem efectuados esboços ou estudos preparatórios fora dos constituintes visíveis da obra. Como pudemos constatar, na improvisação aplicada às artes visuais referidas é possível à obra resultante escapar ao carácter transitório do tempo da sua concepção, parecendo este ter ficado aprisionado no seu suporte. Este facto não se deve à natureza da improvisação, mas sim ao carácter estático destas artes. Este tipo de obra de arte não constitui por isso um instantâneo fotográfico, embora esteja imbuída de um espírito fotográfico (e não cinematográfico) que, operando em contínuo, regista e “congela” cumulativamente a sequência de acções do artista.

2ª Parte

Apesar do que se afirmou atrás, o interesse que uma improvisação “pura” em arte na transição do séc. XX para o séc. XXI pode suscitar, difere indubitavelmente daquele que um público novecentista nutria pela expressão das emoções específicas de um determinado artista num preciso momento da sua vida. Embora a arte improvisada de que falamos resulte também de acções específicas do artista, bem localizadas no tempo e no espaço, o seu carácter nada tem a ver com o captar de atmosferas fugidias, como no impressionismo, ou com o arrebatamento sentimental, no romantismo. É arte que não é a representação de aspectos do mundo real, porque não procura traduzir artisticamente qualquer realidade preexistente; é antes torrente de energia que constrói ou transforma a realidade, ou seja, é o conjunto de acções que determinado artista, ou grupo de artistas, inventou em tempo real, que invadem nesse tempo ou num tempo posterior de dimensão intuída o nosso corpo e mente, alterando-os, originando pensamentos flutuantes, estados de espírito, esgares, transe, etc., factos que nos aproximam de uma espécie de primitivismo (primitivismo nos meios e não no estilo). Não se trata de uma arte que represente uma realidade espiritual, de objectos ou espaços, por semelhança ou dissemelhança, não é figurativa e, contudo, também não é abstracta. Na abstracção o que guia o artista é ainda a presença do símbolo, da narrativa e da psicologia aplicada às artes, seja no campo da cor, da composição ou de acordes específicos que os seres humanos associam a emoções específicas. Esta arte improvisada “pura” é uma arte “real”, teoricamente próxima da “estética real” a que se refere Robert Ryman no texto “Sobre a Pintura”, embora ao manifestar-se como objecto que é tão-somente ele-mesmo o faça longe dos paradigmas da “arte concreta” e dos minimalismos maneiristas e esquemas, a nosso ver, rígidos, viciados e há muito esgotados da chamada “arte conceptual”. É objecto cuja matéria que o constitui possui em si visíveis as marcas da “luta” que travou para existir. Este é o seu drama. A opção do artista pela improvisação “pura” advém seguramente de uma perene crise de identidade que, na sucessão cronológica das actualidades, parece ser um problema que no tempo presente é sempre mais acentuado do que anteriormente. Ao entregar-se ao improviso o artista parece extrair de si a sua idiossincrasia transformada em obra de arte. Contudo, não é lícito afirmar que a obra de arte resultante é uma representação da idiossincrasia do seu autor. Essa obra de arte é apenas uma associação de matéria que existe e tomou forma.

3ª Parte

Ao por em evidência o imediatismo do gesto, o improvisador não está a negligenciar a estrutura da obra de arte dele resultante e esta não será menos “arquitectónica” por isso. Na arte actual, o gesto sobre a matéria em transformação, durante o intervalo de tempo em que a obra toma forma, é também, de certa forma, manifestação que nega as categorias de gosto impostas pelo marketing do meio artístico. É ainda a recusa da diluição da personalidade do artista na vasta panóplia de géneros e estilos impessoais e “internacionais”. É a afirmação implacável da sua individualidade, não pela via do maneirismo formal que nos habituamos a associar a um autor, mas antes pela evidência da incisão ou do moldar da matéria. Não é um “vale‑tudo” e, aliás, nunca o poderia ser, porque em plano de fundo a arte tem sempre presente uma ética que condiciona a estética e, por contraditória que esta afirmação possa parecer, é por este motivo que o artista sério não faz concessões aos gostos (aos gostos do público e aos do próprio artista). A sua acção procura ser construção de realidade que nega a realidade precedente, mudança que sugere a ideia de evolução na arte. Mesmo na obra de aparência tranquila pulsa a inquietação latente que é da natureza da arte.

* texto de autoria de Nuno de Matos Duarte; publicado em 2007/03/13 (http://nuno-matos-duarte-textos.blogspot.com/2007/03/arte-e-improvisao-uma-questo-de.html), acessado em 25/03/2020.